Letra Financeira: a ideia que virou realidade
Cetip
Além de ser um relevante instrumento de captação das instituições financeiras, a LF tem características particulares, que lhe confere o título de grande aposta do mercado, desde sua criação em 2010. Em abril daquele ano, o registro desse ativo já estava disponível na Cetip. Em comparação com outros instrumentos de funding, como CDB e Letra de Crédito do Agronegócio – LCA, a LF sai na frente quando o quesito é alongamento dos prazos de captação dos bancos, o que é mais saudável para o Sistema Financeiro como um todo. (Veja quadro abaixo)
“A LF era uma promessa que virou realidade. Esse instrumento nasceu com o intuito de proporcionar uma melhor administração de ativos e passivos dos bancos. Uma alternativa de funding de longo prazo”, aponta Carlos Ratto, diretor-executivo Comercial, de Produtos, Marketing e Comunicação da Cetip, ao iniciar sua explanação sobre o assunto no 3º Seminário de Letras Financeiras, organizado ontem, dia 21 de maio, em São Paulo, pela Inova Seminários.
Em abril, as Letras Financeiras completaram dois anos de criação: exatamente o período em que os primeiros títulos emitidos começaram a vencer. O prazo mínimo de 24 meses é uma de suas principais características. Quase a totalidade das emissões tem sido feita com prazo de até quatro anos, um índice que chega a 96,8%.
O valor unitário de emissão deve ser igual ou superior a R$ 300 mil, e não há teto. “Desde a sua criação, a Letra Financeira vem cumprindo o seu papel”, argumenta Esteves Pedro Colnago Junior, diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, também presente no evento. De lá pra cá, mais de 40 instituições financeiras emitiram esses títulos. A Letra Financeira pode ter remuneração por taxa de juros prefixada, flutuante em DI ou Selic, ou por índice de preços.
Bom para o mercado
O estoque valorizado desses papéis chegou a R$ 183,5 bilhões no final de abril. Esse montante era de R$ 72,8 bilhões no mesmo período do ano passado. A evolução do estoque reflete o fato de que cada vez mais investidores estão apostando no ativo, o que contribui para o desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro.
Em janeiro de 2011, a Cetip implementou o registro das Letras Financeiras negociadas por meio de oferta pública, regulamentada pela Instrução nº 488, editada pela Comissão de Valores Mobiliários. Esse procedimento possibilitou a ampliação das negociações do ativo e do público investidor. Segundo Ratto, essa é uma modalidade ainda pouco utilizada no mercado brasileiro, representando menos de 1% do estoque. Foram apenas quatro emissões com ofertas públicas desde então. “Vislumbramos uma oportunidade de crescimento.”
Outras novidades nesses dois anos de Letras Financeiras ampliaram as perspectivas de investimento no ativo. Uma delas foi a possibilidade de seguradoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar vincularem as Letras Financeiras às suas Reservas Técnicas. Em fevereiro de 2012, foi liberado o registro, na Cetip, de negociação de LFs no mercado primário entre instituições financeiras. Anteriormente, o ativo só podia ser negociado entre essas instituições no mercado secundário. Vale lembrar que este título também tem a possibilidade de ser instrumento de dívida subordinada. Nesse caso, o prazo mínimo de emissão passa a ser de cinco anos.
Dados aprofundados sobre Letras Financeiras e outros ativos de renda fixa e derivativos de balcão podem ser adquiridos por meio do Cetip | Market Report. Relatórios de ranking cego, que permitem identificar o market share da instituição e estoque por tipo de ativo ou indexador, são os mais procurados. Para mais informações, entre em contato com a Cetip, pelo telefone (11) 3111-1427, ou e-mail: marketreport@cetip.com.br.